Filmar é a menor parte. Isso foi uma das coisas que aprendi com o meu primeiro documentário, já que pensava exatamente o contrário: que filmar era tudo. A partir de um trabalho de faculdade para a disciplina de Introdução ao Cinema, com um grupo mais ou menos aleatório composto por 6 pessoas, comecei a pensar em um tema para filmar, obrigatoriamente, um curta-documentário de até 10 minutos. No começo, achei que 10 minutos fossem muito, o pensamento era de talvez não conseguir alcançar esse tempo; mais uma vez estava enganada. Depois de começar a produzir, tudo o que mais queria era que o professor tivesse pedido um longa.
O tema foi sugerido por uma das integrantes do grupo, Marina Martins, e logo todos adotaram a ideia. Falaríamos sobre "saudade", era perfeito, um documentário com um "quê" de poético. No instante em que todos concordaram, minha cabeça voou a mil em pensamentos, e não parou mais. No meio a tanta imaginação, ideias, sugestões e, principalmente, idealização de como tudo seria - cheguei a pensar até em como seriam os depoimentos dos entrevistados, vê se pode? -, nos deparamos com a realidade: fazer um filme não é fácil.
Burocracia, este foi o maior de nossos problemas. Apesar de toda a filmagem ter sido dentro da faculdade (PUC-Rio), precisamos de autorização para filmar cada mínimo local, cada pessoa. E não foi fácil conseguir. O tempo tomado com levar papéis e assinaturas de um lado para o outro, seria o equivalente a produzir, pelo menos, mais dois curtas; o pior é saber que essa situação não se aplica somente ao ambiente universitário, mas a toda e qualquer produção, em qualquer que seja o lugar, processo que de fato não faz diferença alguma, na maioria das vezes.
O projeto para o documentário era reunir depoimentos de diferentes formas e tipos de saudade. Agendamos entrevistados, equipamentos, ilha de edição, e até conseguirmos conciliar todos, levou um certo tempo, mas o importante é que, no fim, tudo deu certo. Apesar da nossa inexperiência cinematográfica e do tempo apertado, demos o nosso melhor. Claro, sempre há os que se doam mais do que os outros, mas isso faz parte, e o resultado foi compensador de todo trabalho. Qual a lição que aprendi com o meu primeiro documentário? 10 minutos podem dar muito trabalho.
ATENÇÃO! Assista até o final.
Perda, dor, nostalgia, esperança, memórias que nos aproximam daquilo que já não pode mais estar presente e o torna imortal dentro de nós: isso é a saudade, palavra da língua portuguesa, sentimento universal. É acreditando que todos compartilham desta sensação, que o curta-documentário “Ausência Presente” relata, através de depoimentos, 3 histórias distintas, demonstrando o quão abrangente e forte esse sentimento pode ser.
Curta-documentário produzido para a disciplina de Introdução ao Cinema da PUC-Rio. Integrantes: Bruna Montebello, Lorena Muniz, Lucas Rohloff, Marina Martins e Patrícia Bello. Músicas: "Saudade" - Marcelo Camelo e "Gostava tanto de você" - Tim Maia.
“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
(Rubem Alves)
*Pedimos desculpas pelo problema no áudio da entrevista de Agostinho Dias Carneiro.
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