27 maio 2013

Uma história diferente

     1º de Abril de 1964, tropas do General Mourão em direção ao Rio de Janeiro, "Neste momento, declaro vaga a Presidência da República". A declaração feita pelo então presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, marca o fim do governo de João Goulart e o início dos 21 piores anos vividos pelo Brasil; é sobre este fato que o documentário "O Dia que Durou 21 Anos", dos jornalistas Flávio e Camilo Tavares, se propõem a falar. O filme de 77 minutos conta a história da Ditadura Militar sob uma ótica diferente da que estamos acostumados a ler nos livros de História. A proposta, não é a de contar a história dos anos de horror pelos quais o Brasil passou, mas sim revelar a participação obscura dos Estados Unidos da América nesse processo.
   Textos de telex, áudios de conversas telefônicas, depoimentos de testemunhas do regime e imagens estão entre os documentos inéditos apresentados no documentário, a grande maioria do arquivo confidencial da CIA, órgão que o filme bem lembra, trabalhou clandestinamente no Brasil durante o governo de Jango. 
     Dentre os fatos abordados, há grande destaque para as intenções do governo estadunidense, que temiam uma revolução comunista à moda Cubana, com o diferencial de que o Brasil era maior e mais poderoso, o que a tornava muito mais "perigosa". A partir de relatos do embaixador dos EUA no Brasil, Lincon Gordon, salientado como talvez o maior responsável pela paranoia norte-americana, começou a surgir a preocupação com as propostas reformistas de Goulart e, consequentemente, a adoção de medidas para impedir a "perda" do território brasileiro para os comunistas, como se tomar um caminho próprio fosse agir de contra a democracia; muito pelo contrário.
    O filme segue narrando os acontecimentos sempre envolvendo a participação do governo de Kennedy e, posteriormente, Lyndon Johnson com o golpe de 64 que depôs Jango e a instauração da Ditadura no Brasil de forma forte e marcada por depoimentos de personalidades que viveram no período e contestando o porquê de Goulart não ter resistido. A resposta é dada no próprio documentário: para evitar derramamento de sangue. 

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