As drogas fazem parte
da história da humanidade. Apesar da atual conjuntura política de combate a
elas vigente ainda na maioria dos países, como no Brasil, e opiniões divergentes
sobre o assunto, uma coisa tornou-se difícil de questionar: esta guerra é uma guerra perdida.
Em
levantamento feito pela ONU, comprovou-se que o narcotráfico movimenta mais de
400 bilhões de dólares por ano. Segundo o Fundo Monetário Internacional, em
2008, 352 bilhões de dólares foram absorvidos pelo sistema bancário do planeta.
A lavagem de dinheiro é feita pela Internet e abrange bancos de inúmeros
países.
A
situação não é diferente no Brasil, de acordo com o doutor em sociologia e
professor da UFRRJ José Cláudio Alves, o crime organizado é organizado pelo
Estado. “1kg de cocaína pura custa cerca de 7 mil reais, mas misturando-a a
outras substâncias, como pó de mármore, o mesmo 1kg passa a custar 42 mil
reais”, explica. Dessa forma, não é complicado imaginar por que o mercado de
drogas movimenta bilhões no Rio de Janeiro e em outras capitais, nem por que é
lucrativo para o governo que o tráfico permaneça na surdina.
Conforme números de 2009 – Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), feito pela Unifesp – o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, atrás apenas do Estados Unidos. Este último já gastou cerca de 1 trilhão de dólares nos últimos 40 anos no combate às drogas, enquanto o Brasil retira, por ano, R$183 bilhões dos cofres públicos no combate à violência, 22% são gastos somente com o narcotráfico e crimes envolvendo o uso ou a venda de drogas. Ambos os investimentos se mostram ineficazes já que o número de usuários só se faz crescer onde a lei é recriminatória. Na Holanda, onde a maconha é liberada, o seu uso entre os jovens é o mais baixo da Europa.
Conforme números de 2009 – Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), feito pela Unifesp – o Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína e derivados, atrás apenas do Estados Unidos. Este último já gastou cerca de 1 trilhão de dólares nos últimos 40 anos no combate às drogas, enquanto o Brasil retira, por ano, R$183 bilhões dos cofres públicos no combate à violência, 22% são gastos somente com o narcotráfico e crimes envolvendo o uso ou a venda de drogas. Ambos os investimentos se mostram ineficazes já que o número de usuários só se faz crescer onde a lei é recriminatória. Na Holanda, onde a maconha é liberada, o seu uso entre os jovens é o mais baixo da Europa.
Em
estudo realizado pelo psicólogo canadense Bruce Alexander nos anos 70 com ratos
de laboratório, descobriu-se uma ironia nas sociedades que criminalizam o
usuário de drogas: o problema é a jaula. Bruce decidiu repetir o experimento
que deu origem a todo o terror ao redor das drogas, trancando ratinhos albinos
em gaiolas com dois bebedouros, um que dava acesso à água e outro a morfina,
heroína ou cocaína. Como era de se esperar, estes tornaram-se viciados,
deixando de lado necessidades como comer, o que os levava à morte. Porém, ele
construiu outra gaiola, maior, com diversas opções de lazer, um “Rat Park”, e
incluiu os mesmos bebedouros. Os ratos do parque, ao contrário dos outros, não
ficaram viciados e quase sempre preferiam água às demais substâncias. O consumo
de drogas entre eles foi 19 vezes menor, o que nos leva a concluir que os
usuários de drogas permanecem no vício por não terem outras opções.
Crime
maior que a lucratividade ilegal do tráfico, é o tratamento dado aos
dependentes químicos onde não existe uma política para usuários de álcool e
outras drogas sem exclusão. Usuários moradores de rua são internados compulsoriamente,
violando o ART. 230 ECA, no caso de crianças e adolescentes, e o direito de ir
e vir de todos. Ao invés de receberem tratamento, são levados à verdadeiros
abrigos, tão desorganizados que nem sequer possuem o controle de quantas vezes
uma pessoa passa por ali.
Por
isso o discurso de muitos, surpreendentemente até de setores conservadores da
sociedade, tem mudado. Há uma real necessidade da legalização das drogas no
Brasil e no mundo, porque é inquestionável que isso é uma questão de saúde
pública, e não de polícia. O governo precisa parar de tratar o usuário de
drogas como criminoso e entender que, na verdade, ele é um ser humano que
precisa de ajuda. Com a legalização, há a possibilidade de resolução de outros
problemas, como o alto investimento no combate às drogas, que poderá ser
revertido em políticas de conscientização nas escolas e tratamento para
dependentes químicos, e o rompimento da organização bilionária que é o tráfico
de drogas.
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